Publicado por: A Ovelha Perdida | 18 de Junho de 2010

Do pão alentejano aos pobres de Setúbal

Hoje dei comigo a pensar, logo de manhã, depois de ter tomado o pequeno-almoço.
Pequeno, digo eu, uma torrada grande, com manteiga, de um pão muito especial que só os alentejanos sabem fazer, oferecido na véspera pela prima Zulmira, que mora em Santiago do Cacém mas tem a filha, Patrícia, a estudar cá em Setúbal. É uma miúda grande, sai ao pai, que também é grande, corado e parece vender saúde.
Mas porque é que estou para aqui a escrever sobre este momento, quando o que eu quero é pensar consigo sobre o tema desta coluna: “porque dói a alma”?
O tal pão alentejano, que veio também acompanhado por uns ovinhos caseiros, transporta com ele o sentimento não só do prazer da partilha, mas mais um sentimento da alma.
A Patrícia precisava de fazer um pequeno estágio numa instituição de solidariedade social para complemento do seu curso de professora do 1º. Ciclo, e eu, como estou ligada a uma dessas instituições, abri-lhe a porta não só a ela como a mais duas colegas na mesma situação.
O que será que estas três jovens deixaram gravar na sua alma ao verem dezenas de pessoas carenciadas à porta, à espera de atendimento, a fim de receberem produtos alimentares para a sua sobrevivência? Foi a primeira vez que estiveram no campo de batalha do apoio à pobreza. Elas viram velhos com baixas pensões de reforma, viram doentes, viram mulheres muito novas, desempregadas e já com dois e três filhos, viram estrangeiros não legalizados com a angústia estampada no rosto pela incerteza do amanhã.
Perceberam ainda a falta de apoio que estas instituições muitas vezes sofrem, pois os serviços públicos ainda não têm um olhar adequado sobre as mesmas.
A minha certeza é que lhes doeu a alma e eu vi isso mesmo nos seus gestos e no seu olhar. Ficaram marcadas pela fragilidade do Outro, a quem serviram com dedicação e sensibilidade.
Também é com certas dores na alma que se fazem os grandes homens e mulheres.
Afinal, se quisermos ser grandes, muitas vezes a alma tem que nos doer.

Fonte: Susete Lino, “Porque nos dói a alma”, O Setubalense.


Responses

  1. olá susete

    Falamos pelo telefone creio que no dia 11 deste mes, sobre uma possibilidade de ajuda . Não está esquecido mas tenho estado doente. Penso talvez poder ir no final da semana para poder conversar e perceber a forma mais adquada à ajuda.
    bem hajam
    luisa ribeiro


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